Uma casa que é feita de isopor, do chão ao teto
17/07/2005
Jacqueline Costa
Morar numa casa feita com isopor do teto ao chão, no lugar dos tradicionais tijolos, parece uma idéia incrível? Pois a tecnologia, criada há três décadas na Itália e que já não é novidade na França, na Inglaterra e nos Estados Unidos, está cada vez mais presente por aqui. O arquiteto carioca Cláudio Aguiar já fez mais de dez construções com placas de poliestireno expandido (EPS), mesmo material usado em peças como maquetes de escola, caixas para conservar cerveja gelada, entre outras.
Em geral, quem opta pelo sistema está de olho no custo que, em média, tem redução de 15% e em outro item fundamental para quem resolve construir: rapidez. Esse sistema pode fazer a duração da obra cair pela metade, já que o material é leve e de fácil manuseio. E foi justamente essa rapidez que fez com que a atriz Patricia França escolhesse o isopor para erguer sua casa, no Recreio:
— Como eu queria me mudar rapidamente, nem pensei duas vezes quando foram apresentadas as vantagens do sistema. A obra ficou pronta em dez meses.
Com desconfiança e alguma resistência
Em Itaipava, um imóvel de 400 metros quadrados levou apenas sete meses para ser construído. Se tivesse sido feito da maneira convencional, a duração seria de, no mínimo, 14 meses. Dono da casa, o jornalista Celso Knoedt lembra que, de cara, resistiu à idéia.
— Antes de decidir, visitei um projeto pronto, bati nas paredes, examinei o acabamento e me convenci de que o isopor era confiável. Devido ao tamanho dos painéis, o resultado é muito mais homogêneo do que numa construção de tijolos, sujeita a todo tipo de imperfeições.
Para Knoedt, o isolamento térmico-acústico proporcionado pelo isopor foi fundamental na escolha.
— Quando ocorre aquela queda brusca de temperatura, à noite, as paredes mantêm o interior aquecido. Se hoje tivesse que construir uma nova casa, optaria novamente por esse sistema, sem hesitar.
Segundo Aguiar, foram realizados o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em São Paulo, comprovou que a variação de temperatura interna fica, no verão, abaixo do que é considerado a temperatura máxima de conforto e, no inverno, acima da mínima.
A placa de EPS fica entre telas de aço soldadas com ferro, cujo diâmetro varia em função do peso e do número de andares da construção. Sobre o isopor e as telas de aço são aplicadas camadas de microconcreto especial. Toda a parte elétrica e hidráulica é feita, antes da concretagem, com um revólver de ar quente que queima o EPS e abre canaletas, onde são instalados os canos e os fios. Sem quebra-quebra.
Não é necessário contratar pedreiros especializados. Aguiar diz que com um rápido treinamento no próprio local da obra, bons profissionais ficam aptos a trabalhar neste tipo de construção. A mão-de-obra é reduzida. Armador de ferro e carpinteiro de fôrma, por exemplo, são dispensáveis. Além disso, numa casa de isopor, poeira é coisa do passado, assim como o desperdício de materiais. Todos os painéis são feitos sob medida e podem atender a qualquer tipo de projeto arquitetônico.
Na opinião do presidente do Conselho Regional de Engenharia do Rio de Janeiro (Crea-RJ), Reynaldo Barros, entretanto, o sistema de construção pode aumentar o risco de incêndio. Aguiar rebate, lembrando que foram realizados testes com pedaços de paredes prontos num forno a 700 graus:
— Concluiu-se que o EPS não propaga chamas por estar envelopado por concreto e que não há liberação de gases tóxicos.
A seguir, mais detalhes sobre construções com placas de EPS:
ACABAMENTO: As paredes e o chão podem receber todo tipo de acabamento.
CUSTO: A redução fica em torno de 15%. Segundo o arquiteto, o preço da parede de alvenaria convencional pronta, incluindo o material e a mão-de-obra, sai por R$ 95 o metro quadrado. Já a feita com isopor custa em torno de R$ 80.
ESTRUTURA: Vigas e pilares de concreto são dispensáveis nesse tipo de construção, já que é a tela de aço que dá sustentação às placas de isopor. A parede é autoportante (tem rigidez suficiente para sustentar-se).
LIMPEZA: Praticamente não há entulhos e material excedente.
PAREDES: Os painéis de isopor têm sete centímetros de grossura. Depois de revestidos de concreto, ficam com a mesma espessura das paredes de alvenaria tradicional, ou seja, com cerca de 14 centímetros.
PESO: A parede pesa 45% da carga da alvenaria de concreto e 30% da alvenaria de tijolo de cerâmica.
Fonte: Jornal O Globo, Morar Bem.